• Zamboni Travassos

O Desafio de PENSAR BIM

Recentemente, como Professor de Engenharia Civil na UFF, fui desafiado a ensinar BIM aos alunos do 1º período, aos calouros que acabaram de entrar no curso e pouco sabem sobre construção civil. De imediato, pensei: “Como será possível ensinar o conceito BIM para quem mal sabe o que é o concreto armado…”.


O desafio começou e eu estava prestes a perceber algo fantástico no ensino do BIM!


Comecei a montar o plano de aula com conceitos simples e definições bem claras sobre BIM. Por exemplo, criei personagens para cada entidade envolvida em um empreendimento (construtor, cliente, projetista, etc.), mostrei como eles tradicionalmente interagem e como o BIM e o IPD propõem uma nova interação e colaboração entre eles.

Foi então que percebi algo fantástico:

Por quê não ensinar a eles uma nova forma de pensar? Que tal ensinar a pensar BIM?

Ao invés de me fixar em conceitos de interoperabilidade, parametrização, entre outros termos técnicos complexos para leigos, foquei em colocar na mente crua dos alunos todos os conceitos de COLABORAÇÃO que o BIM exige.

Nesse sentido, foram ensinados três tópicos abstratos, porém concisos:


1. eliminar rivalidades e preconceitos, antes mesmo de existirem;


2. pensar coletivamente e de maneira multidisciplinar;


3.e estar apto à mudanças;



O primeiro deles foi ACABAR com a rivalidade de arquitetos e engenheiros, antes mesmo deles ouvirem falar disso. É muito comum ouvirmos ao longo do curso de Engenharia Civil ou Arquiteto, as seguintes frases: “Isso é coisa de Arquiteto (ou Engenheiro)...” com notável tom de ironia depreciativa. Esse PREconceito influência muito negativamente o ambiente de colaboração BIM, pois cria uma espécie de ringue de luta entre arquitetos e engenheiros, com competição de egos. Portanto, mostrar aos calouros que ser aliado do arquiteto e vice-versa é fundamental para o sucesso em um empreendimento foi talvez um dos principais ensinamentos BIM da aula.


O seguinte tópico foi o pensamento coletivo e multidisciplinar. Expliquei aos alunos de primeiro período que é preciso pensar em um projeto não como o MEU projeto, e sim como o NOSSO projeto. Eliminar individualismos e focar no objetivo em comum, o melhor projeto possível, é essencial para que o fluxo de trabalho em BIM de fato ocorra. Além disso, o caráter multidisciplinar é primordial para os novos projetos, bem como para a vida. Não adianta sermos o MELHOR em estruturas, sem entendermos e aplicarmos os requisitos da disciplina de Arquitetura.


Por fim, tentei passar aos alunos a necessidade de estarmos sempre INOVANDO, seja em tecnologia seja em pensamento. Não há mais espaço para pessoas inflexíveis no mercado, o mundo exige adaptações e mudanças que são inevitáveis para o sucesso das pessoas. Estar aberto a essas mudanças faz parte do pensamento BIM!

"Não há mais espaço para pessoas inflexíveis no mercado"

Assim, foi possível ensinar aos calouros de 1º período de Engenharia Civil a PENSAR BIM. Talvez esse ensinamento colabore muito mais à disseminação BIM no mercado, no Brasil e no Mundo do que às aulas específicas e técnicas que leciono aos alunos de 9º e 10º períodos.


Do resto é isso: antes de operar em BIM, é preciso aprender a PENSAR em BIM!


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